Da sala de aula para o mercado: aluno do Contato transforma impressora 3D em negócio

Davi Aires começou a vender peças impressas em 3D depois de aplicar na prática o que aprendeu nas aulas de educação financeira e nos laboratórios de robótica da escola

Da sala de aula para o mercado: aluno do Contato transforma impressora 3D em negócio

 

Quando o pai comentou, no início do ano, que estava pensando em comprar uma impressora 3D, Davi Aires já sabia o que queria fazer com ela. Duas semanas depois de o equipamento chegar em casa, o aluno do Colégio Contato Maceió foi conversar com os pais com uma proposta pronta: e se, além de imprimir por hobby, eles tentassem transformar aquilo em uma fonte de renda?A resposta foi sim. Hoje, Davi produz e vende peças sob encomenda e administra, com a ajuda da mãe, as contas do próprio negócio.

A vontade de empreender não nasceu com a impressora. "Desde pequeno, uma das frentes que eu queria seguir era o empreendedorismo, e me formar em computação gráfica", conta. O que a escola ofereceu foi o caminho para tirar a ideia do papel, primeiro no laboratório de robótica, no 8º ano, e depois nas aulas de educação financeira. "Comecei a participar mais por causa disso mesmo: pra saber lidar com dinheiro, com a compra de filamento e os cálculos de gasto da impressora."

Segundo o professor Elder Melo, responsável pela disciplina, esse é justamente o objetivo. "Os alunos entram achando que é pura matemática, que vão aprender juros simples e compostos. A educação financeira tem o poder de ir além dos cofrinhos", afirma. Ao longo do ano, a turma aprende a usar Excel e Numbers para controle financeiro, estuda tipos de empresa e impostos, cria logomarcas no Canva, simula a declaração de imposto de renda no site da Receita Federal e monta uma feira criativa, em que cada grupo vende um produto próprio, sem a ajuda dos pais.

 

 

O negócio de Davi engrenou durante a Copa do Mundo, com caixinhas de figurinhas, chaveiros da taça e apitos. Passado o campeonato, o ritmo diminuiu, mas as encomendas continuam chegando, uma das maiores veio da própria avó, que pediu 200 chaveiros de uma vez.

A parte financeira é levada a sério. O dinheiro fica em uma caixinha separada, reservada ao negócio, e o lucro é dividido: 40% ficam com Davi e 60% cobrem energia, filamento e manutenção. Ele conhece bem o que usa trabalha com PLA e PETG, sabe que cada um exige uma temperatura diferente e desenha as próprias peças em software de modelagem. "O trabalho maior é programar o que ela vai imprimir. O resto ela faz sozinha."

Para Elder Melo, foi aí que o aluno se destacou. "A disciplina foi além dos portões da escola: o Davi levou o conteúdo para casa. Ele não ficou só no conhecimento, colocou em prática", diz o professor.

O plano agora é se aprofundar em design e computação gráfica para tornar o negócio mais rentável, com uma meta clara: bancar as próprias despesas, incluindo escola e faculdade.

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